“Um Bom não é uma boa nota?”

Uma amiga de quem gosto muito e que admiro imenso enquanto mãe, contou-me um dia uma situação que lhe tinha acontecido com a filha e que considero necessária, pela forma simples, honesta e tão certeira, como que nos põe no nosso lugar.

A Sara, que estava na altura no 2º ano do 1º ciclo, fez um teste na escola. A professora, no dia de devolver as notas aos alunos, fê-lo em voz alta e todos ouviram as notas de todos (não sei bem para quê, mas isso “são outros quinhentos”…)

A Sara teve um Bom.

Ao chegar a casa, feliz com a conquista, partilhou com a mãe a nota recebida. A reação da minha amiga, fruto do impulso do momento, foi,

“Então e a Mariana, que nota teve?”.

Ao que a Sara respondeu prontamente,

“Porquê mãe? Um Bom não é uma boa nota?”.

A mãe deu-lhe razão, pediu-lhe desculpa e abraçou-a com força. As duas cresceram por dentro nessa noite.

E assim, sem pedir licença e do alto dos seus 7 anos, a Sara deu-nos, à mãe e a mim, uma enorme lição.

Uma lição sobre a vida e sobre tudo aquilo que é efetivamente importante preservar: a capacidade de acarinharmos quem somos e de celebrar os objetivos que alcançamos, sem viver na sombra de ninguém.

Não tenho nada a acrescentar a esta história.

Acho que ela se basta a si própria e não quero que palavras a mais, desviem a atenção das coisas grandes que ela ensina.

Eu, sou grata, por tudo o que a Sara me trouxe, quando tão corajosamente vibrou, com o melhor que trazia em si.

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Eu, Rita.

Sou psicóloga e formadora com especialidade na área da saúde e da educação e trabalho como psicóloga escolar desde 2006, atividade que muito me preenche e me faz acordar todas as manhãs cheia de energia e vontade de continuar a aprender.

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