“Um convite ao consumo lento do quotidiano das coisas numa linguagem crua e solta,
 que apela aos sentidos e ao imaginário social emocional."

Livro - Os outros que somos nós

“Estranhas formas pessoais de sobrevivência, relações encapsuladas que o dia a dia converte em desamor e solidão são os fios que marcam a urdidura psicológica das cruas e desconcertantes crónicas de Rita Guapo.

Ler Os Outros Que Somos Nós é adentrar na representação da realidade, nos refúgios e calvários do isolamento interior, em histórias circulares e labirínticas que carregam pedaços de outras vidas que cabem 
dentro da nossa.”

- Elisa Lopes Antunes, Emporium Editora

Do Livro…

“No outro dia perguntaste-me de onde me vinham as palavras. Não soube responder-te.

Atabalhoei-me em meia dúzia de frases fáceis, sem significado nenhum e tive de ver-me a braços com a angústia que me deixaste dentro. De onde me vêm as palavras… De que partes de mim saem e o que tanto de meu trazem à luz do dia.

Continuo até agora sem resposta. Logo eu, que toda a vida morri de medo da falta de respostas, procurando-as, insistente, no olhar dos outros, na forma como se ajeitavam à indefinição e à incerteza, infelizes, domesticados, tolerantes… sempre, na esperança vã de conseguir ajeitar-me também. Continuo a pensar nisto. Não me sento para escrever, nem tão pouco o faço com um sentido próprio, o que me leva a crer que em boa verdade, não tenho nenhuma propriedade do assunto.

Elas chegam-me de mansinho, ou de rompante, sempre que a alma tenta pousar-me noutros lugares. Curiosamente, são as chatices de todos os dias que parecem tornar-se irresistíveis às palavras. As refeições, o cansaço do corpo, as bocas em movimento, abundantes e estéreis… Agora que penso nisto, talvez seja eu a vir às palavras e não elas a mim. Talvez seja eu que as chame e lhes suplique bem alto:

– Tirem-me daqui que eu já não aguento mais!

E elas ouvem-me, arrepiam-me caminho, dão-me o espaço amplo e vazio para respirar, o colo quente com sabor a mãe… afagam-me o cabelo, hábeis e sedutoras, como um carrasco que prepara o condenado, para a seguir me sussurrarem baixinho o sem fim de coisas que eu já não queria voltar a ouvir. Depois, largam-me ali, entupida delas próprias, sem ao menos me darem tempo de dissecar o assunto que as trazia afinal.

Serviu-me de pouco a angústia. Serve-nos sempre de pouco. Não me resta por isso, voltar a ti e à pergunta que ainda agora me desassossega (soubesse eu estar de outra maneira…)

– De onde te vêm as palavras?

Não sei. A verdade é que não sei. Talvez seja eu, talvez sejas tu. Talvez seja a vida, quando me canso dela ou quando morro de amores por tudo o que ainda me dá a sentir. Talvez seja esta fé no bem que me fazem – palavras gaivota, palavras vento, palavras mãe… Mesmo que eu não saiba de onde vêm. Mesmo que eu não saiba para onde me levam. É nelas, é sempre nelas que largo o corpo e me deixo enfim naufragar.”

Por amor à escrita, colaboro também, enquanto cronista, com algumas plataformas digitais e jornais regionais, parcerias estas que muito me honram e me dão um enorme prazer pessoal.
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Este blog é o lugar onde escrevo sobre o meu sentir enquanto mãe e onde partilho ideias sobre parentalidade e desenvolvimento infantil e adolescente. Não são receitas, são pistas para pensar porque a parte bonita mesmo, é quando as descobertas que fazemos nos aguçam a vontade de construir o nosso próprio lugar, para nele descansarmos o coração.
Convido-te a passares por lá.

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De mãos dadas

Da expressão africana “ubuntu” ou “eu sou  porque nós somos”, guardo tanto em mim.
Nas pessoas que conheço, na riqueza de ser que me trazem e nas sinergias bonitas que em conjunto podemos gerar.
Estas são algumas das minhas pessoas, e sem elas, nada disto tinha graça nenhuma…