Uma amiga de quem gosto muito e que admiro imenso enquanto mãe, contou-me um dia uma situação que lhe tinha acontecido com a filha e que considero necessária, pela forma simples, honesta e tão certeira, como que nos põe no nosso lugar.
A Sara, que estava na altura no 2º ano do 1º ciclo, fez um teste na escola. A professora, no dia de devolver as notas aos alunos, fê-lo em voz alta e todos ouviram as notas de todos (não sei bem para quê, mas isso “são outros quinhentos”…)
A Sara teve um Bom.
Ao chegar a casa, feliz com a conquista, partilhou com a mãe a nota recebida. A reação da minha amiga, fruto do impulso do momento, foi,
“Então e a Mariana, que nota teve?”.
Ao que a Sara respondeu prontamente,
“Porquê mãe? Um Bom não é uma boa nota?”.
A mãe deu-lhe razão, pediu-lhe desculpa e abraçou-a com força. As duas cresceram por dentro nessa noite.
E assim, sem pedir licença e do alto dos seus 7 anos, a Sara deu-nos, à mãe e a mim, uma enorme lição.
Uma lição sobre a vida e sobre tudo aquilo que é efetivamente importante preservar: a capacidade de acarinharmos quem somos e de celebrar os objetivos que alcançamos, sem viver na sombra de ninguém.
Não tenho nada a acrescentar a esta história.
Acho que ela se basta a si própria e não quero que palavras a mais, desviem a atenção das coisas grandes que ela ensina.
Eu, sou grata, por tudo o que a Sara me trouxe, quando tão corajosamente vibrou, com o melhor que trazia em si.